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Sem saída: logística eleva custos da produção agropecuária em Goiás

  • Foto do escritor: Thalita Braga
    Thalita Braga
  • 2 de jun. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 11 de jun. de 2019

Produtores rurais de Goiás estão preocupados com escoamento da safra devido a falta de manutenção das rodovias goianas


Produtores como José Brucelli temem pelo encarecimento do custo da produção pelas más condições de escoamento. Foto: Fredox Carvalho

Com a previsão de colher 22,4 milhões de toneladas de grãos em Goiás, segundos dados do 6º levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), agricultores do Estado estão revivendo uma história antiga e que parece estar longe do fim: a falta de investimentos em logística para escoação da safra. O nome é EF-151 te lembra alguma coisa? E se eu mudar para Ferrovia Norte-Sul? Em construção há mais de 30 anos ela foi planejada para interligar o Pará ao Rio Grande do Sul, de lá pra cá muitos presidentes, muitas promessas, mas resultados de fato não tivemos.


Em obras desde 2017, um dos projetos que deve beneficiar produtores e empresários goianos é o Pátio do Sudoeste de Goiás, que está em fase final de construção, e que será o maior polo de carga de toda a Ferrovia Norte-Sul, situado próximo aos municípios de Rio Verde, Santa Helena, Jataí, Edéia e Quirinópolis. Com 298 hectares de área e acesso direto a rodovia GO 210, o polo de carga está sendo preparado para embarque de granéis agrícolas (soja, milho, farelo e açúcar), granéis líquidos (combustível), fertilizantes e contêineres. O pátio vai contar com 94 hectares destinados aos terminais privados e um estacionamento para 800 caminhões. Os produtos embarcados no polo de cargas no sudoeste goiano têm como vocação principal a exportação pelos portos de Santos (SP), Itaqui (MA), e, no futuro, Ilhéus (BA).


Pé na estrada

Enquanto a ferrovia não fica pronta, produtores de Goiás ainda têm como única saída para o escoamento da safra o uso das rodovias. A malha viária de Goiás conta hoje com 12.716,60 km de vias pavimentadas e 8.883,20 km de vias não pavimentadas, segundo dados da Agência Goiana de Infraestrutura e Transporte (Goinfra). Atentos às necessidades dos produtores rurais, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) preparou um relatório, no início deste ano, sobre as condições das rodovias estaduais, que foi encaminhado para o Governo de Goiás para medidas emergenciais. “Dependemos da manutenção e da conservação das nossas estradas. Para se ter uma ideia, um dos graves problemas em Goiás é a falta de infraestrutura. Gastamos quatro vezes mais do que em outras regiões para levar nossos produtos ao porto. Isso tem que mudar”, afirma o presidente da Faeg, José Mário.


O governador Ronaldo Caiado adotou como primeira medida firmar convênios com as prefeituras, uma vez que as empresas responsáveis pela manutenção das rodovias suspenderam os serviços por falta de pagamento do governo anterior. Devido a dificuldades financeiras de muitas prefeituras e a falta de investimento do Estado, os serviços de manutenção têm sido insuficientes, no entanto, a Goinfra informou que já estão sendo assinadas ordens de serviços para retomada das empresas responsáveis pela manutenção das rodovias.


Na outra ponta

Enquanto a situação não é resolvida, quem paga a conta mais uma vez é o produtor rural que colheu e precisa escoar a safra ou corre o risco de perder a produção. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Jataí, Vitor Geraldo Gaiardo, a situação das rodovias não-pavimentadas da região são muito precárias e as pavimentadas também já estão todas esburacadas, o que eleva o custo do frete e reflete diretamente no aumento dos custos da produção. “As estradas estão muito ruins, e com isso o preço do frete só aumenta, ninguém quer rodar na nossa região porque toda hora estraga o caminhão”. Ele conta que mesmo quem tem armazém na propriedade, o que uma minoria, já não consegue mais estocar toda a produção e precisa escoar mesmo com as estradas ruins.


O produtor rural Mozart Carvalho, do município de Itarumã (GO), há anos enfrenta o mesmo problema nesta época do ano: atoleiros e mais atoleiros na GO – 206, no trecho não-pavimentado de 112 quilômetros que liga Itarumã a Serranópolis. Ele conta que a omissão do governo fez com o que o problema se agravasse, uma vez que a estrada não recebeu devida manutenção ao longo dos últimos anos. “Como aqui têm muito agricultores e criadores de gado, o fluxo de caminhões é muito intenso para levar grãos, insumos, cana-de-açúcar, eucalipto, e agora, nessa época colheita, esse fluxo aumenta, só que com a estrada nessa situação, todos os dias a gente precisa ficar desatolando caminhão por aqui”, diz. Sem qualquer auxílio da prefeitura ou do Governo do Estado, os agricultores da região dependem da ajuda dos vizinhos para vencer os atoleiros. “Este ano o Estado nos abandonou, estamos vivendo uma situação que caminhão que vai lá uma vez fazer frete já não quer voltar”.


O problema de logística enfrentado pelos produtores da região reflete diretamente nos custos da produção. Mozart conta que perde em média de R$ 3 a R$ 4 na comercialização na saca de soja, e que o que tem aliviado o prejuízo são os armazéns da propriedade, mas essa não é a realidade da maioria dos produtores da região. O agricultor José Brucelli, de Rio Verde, produz também no município de Quirinópolis e estoca tudo nos armazéns da Comigo, e conta que teve o frete encarecido em R$ 1 a saca devido às más condições das estradas. “O produtor rural não ganhou dinheiro na última safra”, afirma. Mas comprometido como todo bom produtor, já faz planos para próxima safra e lembra a Tecnoshow Comigo marca esse momento. “Agora é hora de comprar insumos, máquinas e colocar tudo para funcionar, no campo as coisas não param”, garante.



Matéria publicada na Revista Tecnoshow 2019: http://bit.ly/2WF8zXa

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