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Agrinho é protagonista de mudanças dentro e fora da Apae em Cristalina

  • Foto do escritor: Thalita Braga
    Thalita Braga
  • 2 de jun. de 2019
  • 7 min de leitura

Atualizado: 11 de jun. de 2019




Assim como Associação de Pais e Excepcionais de Cristalina (Apae), o programa Agrinho também nasceu no ano de 1995. Na época, o Agrinho surgiu da necessidade de orientar trabalhadores rurais quanto ao uso adequado de defensivos agrícolas. A ideia deu tão certo que se espalhou por todo o País, e em 2008, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás (Senar-GO) e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg) trouxeram o Agrinho para Terra do Pequi. Segundo dados do Sistema Faeg Senar, o Agrinho já atingiu os 246 municípios do Estado e mais de 20 mil professores tiveram a oportunidade de serem capacitados desde a sua implantação.


Para a Apae de Cristalina, o programa surgiu em 2010, quando o superintendente do Senar Goiás, Antônio Flávio Camilo de Lima, apresentou a ideia à diretora da Escola Especial Dr. João Bosco Rennó Salomon, Maria Cristina Maróstica, mantida pela Associação. A possibilidade de oferecer novas atividades e transformar o dia a dia dos alunos em uma experiência pedagógica social instigou a todos.


Logo no primeiro ano (2010), professores e alunos toparam o desafio de transformar o bairro da Escola. Com o tema “O Almocrafe pede socorro: O córrego que está dentro da cidade está com a cidade dentro do córrego”, levantou-se o debate sobre a importância da preservação do Córrego Almocrafe, que corta o município no bairro Cristalina Velha, e foi iniciada uma ação de revitalização e conservação do curso d’água. “Com o início do projeto, agregamos parceiros que fizeram toda a diferença para concretização das ações. Em parceria com a Syngenta, a Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari) construiu um viveiro para a produção de mudas de árvores nativas do cerrado e plantas ornamentais, para que pudéssemos reflorestar a nascente e a margem do Córrego Almocrafe”, conta a diretora da Escola Especial, Cristina Maróstica.


Naquele momento, a Apae Cristalina ganhou outro parceiro que mudou o dia a dia (e o quintal) da Escola João Bosco. A Cooperativa Rede Terra criou no pátio da Apae uma horta orgânica do Programa Agroecológico Integrado e Sustentável (Pais) com canteiros totalmente adaptados e acessíveis para cadeirantes e alunos com dificuldade de locomoção. “A construção desses espaços nos deu a oportunidade de tirar do papel um projeto de educação profissional que há muito tempo sentíamos a necessidade de implantar. Com o apoio da Cocari, o programa ‘1º Emprego Apoiado’ foi efetivado e três dos nossos alunos passaram a compor o quadro de funcionários da empresa, com a função de cuidar da manutenção da horta e do viveiro, tendo todos os direitos trabalhistas garantidos. A satisfação de ter a carteira assinada estava estampada nos olhares e sorrisos ansiosos pela experiência ainda desconhecida”, lembra a professora Adriana Pereira.


Já no primeiro ano, a Escola Especial foi premiada em duas categorias: Escola Agrinho - relatora Maria Cristina Maróstica e Desenho da Educação Especial, aluno Leir Antônio Neves de Sousa e a professora Marleide de Barros.


No ano de 2011 o tema escolhido para o projeto foi “Mãos Especiais na Produção Responsável”, com foco na alimentação saudável e meio ambiente. A horta orgânica, construída em 2010 pela Rede Terra, ganhou um canteiro sensitivo, oferecendo aos alunos com deficiência visual a oportunidade de participar do cuidado diário do espaço. O programa “1º Emprego Apoiado” também foi ampliado e novos alunos passaram a trabalhar com a carteira assinada.


A partir da sensibilização da comunidade escolar, moradores do bairro e empresas parceiras sobre a produção de lixo, foi desenvolvido um projeto de reciclagem com os alunos, transformando resíduos sólidos, descartados pela comunidade, em brinquedos pedagógicos e papel reciclado. Desta ação foi confeccionado um livreto mostrando a transformação prática dos resíduos em materiais didáticos, através das Mãos Especiais. “O programa Agrinho trouxe inúmeras melhorias para nossa Escola, como: trabalho em equipe, liberdade de expressão, autonomia, melhoria da autoestima e renda dos nossos alunos com o 1º Emprego Apoiado e conscientização da comunidade da importância da preservação do meio ambiente”, destacou a professora Cleuda Cristina Gonçalves.


Em 2012 a equipe da Apae Cristalina trabalhou com o tema: Empreendedorismo e Meio Ambiente, no projeto “Empreender Ações Especiais em Busca de Igualdade”. O carro chefe do projeto foi a Aquaponia – integração da criação de peixes e o cultivo de hortaliças, que pode economizar até 90% de água em relação à agricultura convencional e ainda eliminar completamente a liberação de efluentes no meio ambiente, pois se trata de um sistema fechado, diferentemente das criações convencionais. Os alunos também passaram a fazer o reaproveitamento de matéria orgânica, produzida na cozinha da Apae, através de compostagem.


Para professora Samantha Daminelli, trabalhar com o programa Agrinho significa oferecer benefícios não só para escola, mas também a toda comunidade. “O Agrinho nos proporcionou crescimento através da aprendizagem que cada projeto com os alunos”. Marco Aurélio Alves, aluno da Escola Especial João Bosco fala com alegria da sua participação no Agrinho. “Agora eu sei fazer mudas e combater as pragas para que as plantas cresçam bem. Esse é o meu trabalho”, conta orgulhoso.


A experiência da horta orgânica e do viveiro deram tão certo, que em 2013, a Apae Cristalina reaplicou as tecnologias de cultivo de hortaliças orgânicas e plantas ornamentais no Abrigo Casa Betânia, instituição para menores em situação de vulnerabilidade social. Ao desenvolver o projeto “Ação Solidária Compartilhada: Apaexone-se pela Casa Betânia”, a escola fortaleceu o vínculo com as empresas parceiras do 1º Emprego Apoiado e agregou outras empresas que abriram espaço para que mais alunos fossem contratados. “Com resultados tangíveis podemos destacar a implantação da horta orgânica do Programa Agroecológico Integrado e Sustentável (Pais), através da Rede Terra; a revitalização do parque infantil com a ajuda da 3ª Brigada de Infantaria Motorizada e funcionários da Solar Agronegócios”, destacou Nilda Gonzati, presidente da Associação Mãe da Esperança (AME), entidade mantenedora da Casa Betânia.


Ainda dentro das ações do Agrinho, a Apae viabilizou a reconstrução de toda cozinha com divisórias e piso de granitina, equipado com fogão industrial, geladeira, freezer, mesas e cadeiras para o refeitório em parceria com a Empresa Solar Agronegócios. Com o apoio de empresas locais, trazidas como parceiras da Escola Especial, foram instalados um viveiro para o cultivo de flores, uma brinquedoteca, jardim e área verde para a prática esportiva. “Toda a transformação física da instituição rendeu também novas práticas pedagógicas e melhoria na acolhida das crianças. Sem dúvidas, no ano de 2013, a Escola Especial Dr. João Bosco Rennó Salomon entregou um presente à Casa Betânia que, duradouro como é, ano a ano renova-se nas boas práticas da instituição e confirma a relação de sucesso estabelecida desde o projeto “Apaexone-se pela Casa Betânia”, afirmou Nilda.


Para o coordenador da Rede Terra, Zizo Simion, a oportunidade de trabalhar em parceria com a Apae em duas edições do Agrinho deu novo sentido à palavra cooperativismo. “Parceria é a união de pessoas e organizações para alcançar um objetivo comum. Com esta determinação nos unimos à Apae de Cristalina e à Casa Betânia para implantar tecnologias sociais nessas entidades, no âmbito do Prêmio Agrinho, da Faeg. Sonhamos, realizamos e celebramos juntos. Reaprendemos o valor da colaboração, como é o espírito do cooperativismo”, diz. Neste ano todos os projetos da Apae Cristalina foram apresentados à Fundação Banco do Brasil, a qual nos certificou como “Tecnologia Social 2013”, com o trabalho realizado disponível no site do Banco de Tecnologias Sociais – BTS (www.fbb.org.br/tecnologiasocial).


Em 2014, após três anos com o Programa Agrinho, desenvolvendo projetos que envolviam os cuidados com o meio ambiente a Escola Especial João Bosco apresentou o projeto “Esporte: a arte que move a vida”, no qual foi realizado a reforma de uma praça esportiva no bairro Cristalina Velha, com a efetiva participação dos alunos do “1º Emprego Apoiado” e de empresas parceiras. O projeto previa a revitalização da quadra de esportes do bairro, que sempre foi utilizada para a prática esportiva da comunidade e da Escola Especial e a conscientização sobre o descarte de lixo eletrônico. “Conseguimos relacionar ao projeto a contextualização do descarte correto do lixo eletrônico, em parceria com a estação de metarreciclagem do município de Valparaiso de Goiás -www.doeseucomputador.org.br, chamando a atenção da comunidade para o cuidado com o lixo eletrônico, por meio de campanhas e coleta desse tipo de lixo durante uma gincana realizada pelos alunos com o colégio Estadual Olga Aguiar Mohn”, conta a diretora Cristina Maróstica.


O projeto de educação profissional também obteve grandes avanços, concretizando a 3ª etapa da educação profissional que é colocação dos alunos da Apae Cristalina no mercado de trabalho. “Houve um ganho significativo na vida pessoal e profissional dos alunos. Três deles foram contratados de forma integral para trabalhar dentro das empresas agropecuárias, confirmando o grande ganho do projeto Agrinho para inserção social dos alunos da Apae”, destacou o presidente da Apae Antônio Carlos Picolloto.


A última participação da Apae Cristalina aconteceu no ano de 2015, com o projeto “Bombeando Ações Especiais, Pulsando Qualidade De Vida”, no qual a Apae Cristalina reconstruiu o parque de diversões e construiu uma academia ao ar livre, com aparelhos adaptados para deficientes físicos. Outra ação realizada nesta edição foi a construção de um galpão para a prática de Equoterapia, localizado na Campeira do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), com recursos captados através da rifa de uma égua doada pelo produtor rural Rafael Minetto.


Inclusão

Ciente da responsabilidade social do Programa Agrinho, o presidente do Sistema Faeg Senar, José Mário Schreiner, destaca a relevância do programa como instrumento de educação e inclusão social. “É indiscutível a importância da educação para a formação do indivíduo, desde sua escolarização inicial passando pela educação ao longo da vida até suas especializações mais avançadas. A inclusão de pessoas deficientes e com necessidades especiais têm lugar de destaque nesse cenário, por causa da relevância desta modalidade de ensino para aumentar a proficiência desse público, que ainda enfrenta dificuldades de acesso a outros serviços que lhe são de direito”, diz.


A Educação Profissional da Escola Especial Dr. João Bosco Rennó Salomon, ao direcionar sua prática pedagógica, adotando a pedagogia de projetos desde o ano de 2010, acena com possibilidades de um trabalho interdisciplinar que entremeia o currículo com questões socioambientais. Tais ações foram consolidadas por meio da formação continuada dos seus profissionais oferecida pelo Sistema Faeg/Senar e Sindicato Rural, pela participação no Programa Agrinho como perspectiva real da construção do conhecimento e na mediação com o outro. “Isso permitiu o desenvolvimento de várias experiências pedagógicas tão necessárias à educação e deram o tom de inclusão educacional e social”, afirma Cristina Maróstica.



Matéria disponível na Revista Agrinho da Apae Cristalina - http://bit.ly/2WGlKr1


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